O prurido anal, também conhecido como comichâo anal, é uma sensação incómoda ao redor do ânus acompanhada de uma vontade descontrolada de coçar a região, o que provoca lesões na pele assim como outros tipos de infeção.
O desconforto que provoca pode ser passageiro ou persistente, por vezes difícil de suportar, aparecendo frequentemente durante a noite ou após a evacuação.
As suas causas são diversas.
Na maioria dos casos o prurido anal ocorre como um sintoma isolado , sem causa evidente, sendo chamado de prurido idiopático.
Noutras situações pode estar associado a outras doenças, locais ou sistémicas, de gravidade variável , sendo chamado de prurido secundário.
É uma condição relativamente comum, tanto em crianças como adultos.
Atinge cerca de 5% das pessoas e é mais frequente nos homens que nas mulheres, entre os 40 e 60 anos.
Uma limpeza deficiente pode ocasionar prurido anal pelo facto de deixar resíduos de fezes na região que vão ser causa de infeção posterior.
Por outro lado, uma higiene excessiva, sobretudo quando se utiliza papel higiénico seco, origina prurido anal não só pelo traumatismo que provoca na pele, mas também pelo factor de eliminar as barreiras de proteção naturais.
Após a evacuação deve-se fazer banhos de assento no bidé com água morna, usando sempre sabonetes neutros.
Deve-se evitar o uso de papel higiénico seco preferindo toalhetes húmidos
não perfumados e sem álcool, devendo a limpeza ser feita de modo suave.
Também se deve secar a região anal, recorrendo a pedaços de algodão ou a compressas macias, uma vez que a humidade anal é propícia ao aparecimento de micoses e consequente coçeira.
Por fim convém usar roupas íntimas de algodão e largas, de modo a evitar atrito e irritação da região.
Geralmente secundária ao acto de coçar com o aparecimento de lesões que podem infectar sendo necessário recorrer a antibioterapia
A Candidíase representa até 15% dos casos de prurido anal, levando ao aparecimento de um exantema em redor do ânus.
Ocorre quando existe um desequilíbrio da flora bacteriana provocada por má higiene , sistema imunológico enfraquecido, excesso de suor, obesidade e uso de antibióticos.
O seu tratamento consiste na administração de remédios antifúngicos na forma de pomadas ou comprimidos ( fluconazol)
É mais frequente em crianças e em vários membros da família , sendo causa de coceira no período nocturno, que é quando o parasita se movimenta do intestino para a região anal.
O tratamento consiste na toma de anti-helmínticos (mebendazol) devendo abranger toda a família que tenha contacto directo com a pessoa afetada.
As medidas de higiene também são importantes como lavar as mãos após evacuar, lavar separadamente as roupas e roupas de cama da pessoa afetada
Hemorroidas, fissuras ou fístulas anais podem ser causa de prurido anal.
As hemorroidas são de longe a causa mais frequente sobretudo quando estão inflamadas ou irritadas. A coceira ocorre devido à libertação de substâncias químicas que irritam a pele ao redor do ânus.
A produção de muco pelas hemorroidas inflamadas também pode irritar a pele e causar coceira e desconforto intenso. A presença de hemorroidas externas pode dificultar a limpeza da região anal e agravar o quadro.
Geralmente o prurido é mais frequente após as evacuações, principalmente nos casos de diarreia e na hora de deitar, razão pela qual as queixas podem piorar durante a noite. Se o prurido for acompanhado doutros sintomas como sangramento retal persistente, secreção de pús ou diarreia prolongada é obrigatório consultar o seu médico para despiste de outras causas mais graves.
Factores emocionais como o stress e a ansiedade podem desencadear reações inflamatórias que contribuem para o agravamento do prurido anal.
O tratamento das hemorroidas consiste na aplicação de pomadas contendo corticoídes, medicação oral , e na adopção de medidas higieno dietéticas:
Dermatite atópica ou eczema anal – é a causa dermatológica mais comum de prurido anal e resulta do contacto da pele anal com substâncias irritantes como pomadas para hemorroidas, alguma pomadas contendo antibióticos ou anestésicos, corantes e perfumes usados em papel higiénico e sabonetes perfumados, produtos de limpeza da pele, talco e sprays de higiene intima feminina.
Pacientes com eczema anal também têm maior probabilidade de ter asma ou rinite alérgica. Existem alimentos comuns e bebidas que estão relacionados com um agravamento do quadro como café, chá, refrigerantes (cola), cerveja, chocolate e tomate (Ketchum).
O eczema anal pode provocar coceira intensa e o facto de coçar a lesão pode deixá-la ainda mais irritada aumentando a vontade de coçar.
A coçeira pode levar a lesões da pele pela unha, que facilmente podem ser contaminadas por bactérias.
Os doentes têm tendência para se auto medicarem com pomadas várias e medidas de higiene em excesso, o que por sua vez também vai piorar o quadro.
A doença pode manifestar-se por surtos ou persistir por toda a vida.
Os sintomas mais frequentes do eczema anal são:
O diagnóstico exacto do eczema anal pode ser difícil sendo frequente vermos doentes com sintomas por muitos anos, que se auto medicam e que já recorreram por várias vezes a diferentes médicos na expectativa de verem o seu problema resolvido.
Além de uma história clínica cuidada recorre-se por vezes a exames clínicos específicos, como testes de alergia cutânea e testes de microbiologia e cultura.
Exames como a anuscopia e ou retosigmoidoscopia também podem ser importantes.
As lesões que não respondem ao tratamento ou são suspeitas de malignidade necessitam de uma biópsia da lesão e da pele normal adjacente.
O tratamento do eczema anal começa por ter cuidados básicos com a pele adoptando medidas higieno dietéticas adequadas, semelhantes às da doença hemorroidária e já acima descritas.
Deve-se evitar a todo o custo o contacto da pele anal com substâncias irritantes como sabonetes, loções e detergentes agressivos.
Numa fase inicial da doença recorre-se ao uso de cremes hidratantes que ajudam a manter a barreira da pele saudável, como a vaselina, o dexpantenol (Bepanthene) ou o óxido de zinco (Halibut). Se estes tratamentos falharem recomenda-se um creme de corticoide (hidrocortisona em creme a 1%).
Nos casos de coçeira intensa podemos receitar anti-histamínicos como a cetirizina (Zyrtec).
É sempre importante o doente consultar um médico para obter o tratamento mais adequado à sua condição.
A psoríase genital é uma doença auto imune que pode causar prurido anal associado a manifestações noutras zonas como nádegas, coxas, axila, pénis e vagina.
O seu tratamento é feito à base de corticoides e por vezes de metotrexato.
O carcinoma perianal é já uma causa mais rara de prurido anal mas que não deve ser esquecida, originando lesões escamosas e ásperas na zona do ânus.
O diagnóstico é confirmado pela biópsia.
O uso de antibióticos pode alterar a flora bacteriana do intestino e do ânus, favorecendo a multiplicação do fungo Candida albicanss e o aparecimento de Candidíase causando coceira anal.
Além disso, um dos seu efeitos colaterais pode ser a diarreia crónica que também pode originar coceira anal.
Também a utilização incorreta de laxantes pode causar diarreia crónica levando aos mesmos sintomas.
Doenças sistémicas como por exemplo a insuficiência renal e o hipertiroidismo podem dar prurido generalizado mais acentuado na região anal.
O prurido anal geralmente tem cura e o seu tratamento deve ser feito de forma rigorosa.
No caso de prurido de causa desconhecida (idiopático) o tratamento visa o alívio dos sintomas.
Quando a causa é conhecida o tratamento é direcionado para essa causa.
As pomadas para tratamento do prurido anal variam conforme as condições e devem ser usadas com a indicação e orientação do médico.
Evita auto medicar-se.
Se a comichão for intensa ou persistir consulte o seu médico para obter um diagnóstico preciso e um tratamento adequado.
E não se esqueça que o melhor tratamento para o prurido anal começa na sua prevenção, com medidas higieno dietéticas adequadas.