Fístula Anal

Abcesso e fístula anal são fases evolutivas da mesma doença , que ocorre devido a uma infeção bacteriana que se desenvolve a nível das glândulas anais localizadas dentro do ânus.
Esta infeção da glândula anal pode levar à formação de um abcesso anal, (fase aguda da doença), que após a sua drenagem origina em cerca de 50% dos casos , uma fístula anal (fase crónica).
A drenagem do abcesso pode dar-se para dentro do ânus ou para a pele da região perianal, levando á formação de um trajeto fistuloso entre o ânus e a pele, ao qual se chama Fístula anal.

Incidência

É mais frequentes entre os 20 e 40 anos , afetando mais os homens que as mulheres, numa proporção de 4.6 para 1.

Classificação das fístula anais

Baseia-se na relação do trajeto fistuloso com o aparelho esfincteriano, e é importante na escolha da estratégia cirúrgica.

Causas

Sintomas

Meios de diagnóstico

O diagnóstico assenta numa história clínica cuidada e no exame proctológico minucioso, podendo ainda ser complementado por exames imagiológicos, como ecografia, TAC e ressonância magnética (RMN) pelvica.
A colonoscopia pode ter interesse para despiste de outras patologias como
neoplasias ou doença intestinal inflamatória.

Tratamento cirúrgico

A escolha do tipo de cirurgia a realizar depende da localização da fistula e da sua relação com o aparelho esfincteriano ,e visa dois objectivos:

  • Tratar a fístula evitando ao máximo a sua recidiva.
  • Preservar a continência anal respeitando a integridade do esfíncter anal.

Nas fístulas complexas, que envolvem bastante músculo, pode ser necessário realizar a cirurgia em dois tempos operatórios, e proceder á colocação de elásticos ( setons) de modo a seccionar lentamente o músculo, evitando assim uma situação de incontinência anal.

As técnicas mais utilizadas são:

Fistulotomia

Consiste na abertura e curetagem do trajeto fistuloso, estando indicada para as fistulas mais simples e superficiais

Envolve a excisão completa do trajeto fistuloso

Consiste na colocação dum tubo elástico no trajeto da fístula, para permitir a drenagem de pus, mantê-la aberta e facilitar a cicatrização.

É uma técnica complicada do ponto de vista técnico , em que um retalho de revestimento do reto é usado para cobrir o orifício da fístula

O laser é utilizado para cauterizar e fechar a fístula preservando a musculatura do esfíncter anal.
Sendo uma técnica minimamente invasiva ,está sujeita a um alto índice de recidivas , não estando indicada para todos os casos de fistula anal .

A escolha da técnica mais adequada deve ser sempre avaliada e decidida pelo cirurgião.

Complicações pós operatórias mais frequentes

As fístulas anais são ,em proctologia , das situações mais difíceis e complexas com que o cirurgião tem que lidar.
A cirurgia da fistula anal deve ser feita exclusivamente por cirurgiões muito experientes, com grande treino cirúrgico, e só em centros de referência.
Num doente com fístula anal é crucial, logo desde o início, que o cirurgião saiba escolher e planear a melhor estratégia cirúrgica para o doente.
A técnica cirúrgica tem que ser efectuada na perfeição de modo a evitar, sempre que possível, o aparecimento de recidivas.
Não é raro receber na minha consulta doentes já operados a fístula anal 2 ou 3 vezes, sobretudo pele técnica de laser, e ter que resolver situações difíceis que poderiam ter sido evitadas.

Confie em nós e na nossa experiência.