Trata-se duma ulceração longitudinal da parte distal do canal anal, geralmente localizada a nível da linha média posterior, se bem que na mulher por vezes tenha uma localização anterior, associada quase sempre a uma contração marcada do esfíncter anal interno. É uma das causas mais frequentes de dor anal.
É uma lesão muito frequente, atingindo de igual forma homens e mulheres, afectando mais os adultos jovens com idades compreendidas entre os 20 e 40 anos.
É o sintoma mais importante durante e após a defecação, podendo persistir por minutos ou várias horas. O receio da defecação agrava a obstipação que, por sua vez, leva a um agravamento do mau estar.
Nem sempre está presente e surge durante a defecação sob a forma de sangue vivo, não misturado com as fezes, que suja o papel higiénico ou pinga na sanita.
Suja a roupa interior e leva a irritação da pele perianal com consequente prurido.
São raros mas podem estar presentes (ardência ao urinar, retenção urinária).
Prega cutânea incomodativa, também conhecida por marisca sentinela e que é já sinal de cronicidade.
O diagnóstico de fissura anal é facilmente suspeitado pela história clínica, atendendo às características da dor que o doente refere, e confirmado pelo exame anal que demonstra a existência da fissura associada a uma contração marcada do esfíncter anal, bem evidente ao toque rectal.
Quando as fissuras são múltiplas ou de localização lateral devem excluir-se as seguintes patologias:
Tem como objetivo diminuir a dor e o espasmo esfincteriano, facilitando a cicatrização definitiva da fissura.
O tratamento inicial deve ser médico, estando a cirurgia indicada em cerca de 30% a 50% dos casos.
A maioria dos doentes tem boa resposta ao tratamento médico.
Medidas gerais :
Devem ser aplicados de 2 a 3 vezes por dia, durante um período de 8 semanas.
A injeção de toxina botulinica (botox) no esfíncter anal reduz a sua hipertonicidade, facilitando e levando a uma cicatrização da fissura em cerca de 60% a 80% dos casos.
Poderá ser considerada, antes do tratamento cirúrgico ser proposto, em doentes que sejam refratários ou intolerantes aos tratamentos médicos, ou com alto risco de complicações cirúrgicas.
Em comparação com o tratamento cirúrgico, a toxina botulínica tem uma taxa de cicatrização da fissura inferior e uma taxa de recidiva maior.
Os seus efeitos terapêuticos duram cerca de 3 a 4 meses, sendo que os sintomas recidivam em até até 40% dos casos .
A sua aplicação é cara (100 U de Botox custam 172 euros) e não é comparticipada pelas companhias de seguro, podendo ser realizada no consultório sem a necessidade de sedaçao.
Os principais efeitos colaterais da toxina botulínica incluem equimose no local da injeção, incontinência gasosa (18%) e fecal (0-5%), geralmente de forma transitória .
As principais indicações são:
A técnica mais utilizada é a esfincterotomia lateral interna, que leva a um alívio imediato da dor , com cicatrização da ferida em 2 semanas e sem grande desconforto no pós operatório. A sua taxa de sucesso ronda os 98%, com uma baixa taxa de recidiva. Pode levar a uma incontinência ligeira para gases ,em 15% dos casos, sendo geralmente temporária.
A utilização do laser na fissura anal não tem qualquer interesse, sendo raramente utilizada.
O tratamento cirúrgico está indicado na falência do tratamento médico inicial.
A abordagem cirúrgica deve considerar as características do doente e da patologia, devendo os seus riscos e benefícios serem partilhados e discutidos com o doente.
Deve ser realizada apenas por cirurgiões experientes e em centros de referência.
A escolha da técnica mais adequada deve ser sempre avaliada e decidida pelo cirurgião.
O Dr António Araújo Teixeira é reconhecido por ter a maior experiência cirúrgica no tratamento das fissuras, fístulas anais e hemorroidas .
Confie na nossa experiência